Parede abdominal · Cirurgia robótica
Hérnia inguinal, ventral e diástase dos retos.
Correção minimamente invasiva com reconstrução anatômica da parede abdominal: fechar o defeito, reforçar com tela na posição certa e devolver função.
Dr. Daniel Caldeira Thomé
Cirurgia Geral · Cirurgia Robótica
São
Paulo
01 · Entenda
O que é hérnia, e por que ela não melhora sozinha
Hérnia é uma falha na parede abdominal por onde conteúdo do abdome se projeta, formando um abaulamento, na virilha (hérnia inguinal), na região do umbigo e da linha média (hérnias ventrais) ou sobre cicatrizes de cirurgias anteriores (hérnias incisionais).
Hérnias não regridem espontaneamente e tendem a aumentar com o tempo. Além do desconforto, existe o risco de encarceramento e estrangulamento, quando o conteúdo herniado fica preso e tem sua circulação comprometida, exigindo cirurgia de emergência. A correção cirúrgica planejada, eletiva, é o único tratamento definitivo e a forma mais segura de evitar essas complicações.
E a diástase dos retos?
A diástase é o afastamento dos músculos retos do abdome, frequente após gestações e grandes variações de peso. Não é uma hérnia, mas frequentemente vem acompanhada de hérnias umbilicais ou epigástricas, e pode causar abaulamento, dor e disfunção da parede abdominal. Quando sintomática, sobretudo com hérnia associada, tem indicação de correção cirúrgica.
02 · A técnica
Por que corrigir hérnias com o robô
A cirurgia robótica trouxe à parede abdominal algo que a laparoscopia convencional realiza com grande dificuldade: suturar com precisão em espaços restritos. Na prática, isso permite:
- Fechamento do defeito herniário com sutura, restaurando a anatomia da parede, e não apenas cobrindo o buraco com tela.
- Tela na posição ideal (retromuscular ou pré-peritoneal), fora do contato com os intestinos, reduzindo o risco de aderências relacionado às telas intraperitoneais.
- Correção conjunta de diástase + hérnia em um único procedimento minimamente invasivo, com plicatura dos retos e reforço protésico.
- Tratamento de casos complexos, hérnias bilaterais, volumosas, recidivadas e incisionais, por incisões de milímetros, com menos complicações de ferida do que a cirurgia aberta.
- Recuperação favorável: alta precoce (frequentemente no mesmo dia), menos dor e retorno mais rápido às atividades.
O que a evidência mostra, leitura crítica
Honestidade científica: na hérnia inguinal unilateral simples, o ensaio randomizado RIVAL (JAMA Surgery, 2020) mostrou resultados clínicos comparáveis entre robótica e laparoscopia em mãos experientes. O diferencial da robótica aparece nos cenários de maior complexidade, hérnias ventrais e incisionais com necessidade de fechamento do defeito e tela retromuscular, hérnias bilaterais e recidivadas, e diástase associada, onde a capacidade de sutura do robô muda o que é possível fazer por via minimamente invasiva. É por isso que a indicação é sempre individualizada.
03 · Perguntas frequentes
Dúvidas comuns
Toda hérnia precisa de tela?
Na imensa maioria dos adultos, sim: as diretrizes internacionais (HerniaSurge) recomendam o reparo com tela por reduzir significativamente o risco de recidiva. As telas modernas são seguras e bem toleradas, e a posição em que são colocadas, fora do contato com as vísceras, faz diferença na qualidade do resultado.
Quanto tempo dura a recuperação?
Em geral, alta no mesmo dia ou no dia seguinte, caminhadas imediatas, atividades leves em poucos dias e liberação progressiva de esforço físico ao longo das semanas seguintes, conforme o tamanho do defeito corrigido e a orientação individualizada.
A diástase pode ser tratada só com exercício?
O fortalecimento da parede abdominal é sempre parte do cuidado e pode melhorar sintomas em diástases leves. Porém, exercício não fecha hérnias associadas nem corrige diástases amplas e sintomáticas, nesses casos, a correção cirúrgica é o tratamento definitivo.
A correção robótica é coberta pelo plano de saúde?
A correção cirúrgica das hérnias tem cobertura obrigatória pelo Rol da ANS. A cobertura da plataforma robótica varia conforme o contrato e a operadora e é verificada caso a caso, nossa equipe orienta todo o processo de autorização.
04 · Próximo passo
Avalie o seu caso
Se você notou um abaulamento, tem diagnóstico de hérnia ou de diástase e quer entender a melhor forma de corrigir, agende uma avaliação.
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05 · Transparência científica
Referências
- HerniaSurge Group. International guidelines for groin hernia management. Hernia. 2018;22(1):1–165. DOI · PubMed
- Prabhu AS, Carbonell A, Hope W, et al. Robotic inguinal vs transabdominal laparoscopic inguinal hernia repair: the RIVAL randomized clinical trial. JAMA Surg. 2020;155(5):380–387. DOI · PubMed
- Olavarria OA, Bernardi K, Shah SK, et al. Robotic versus laparoscopic ventral hernia repair: multicenter, blinded randomized controlled trial. BMJ. 2020;370:m2457. DOI · PubMed